A morte súbita é a principal causa de óbito nos Estados Unidos e no Canadá.
Abertura de vias aéreas
Realizar a manobra de inclinação da cabeça e elevação do mento.
Se houver suspeita de trauma, realizar a manobra de anteriorização da mandíbula.
• As ventilações devem ser sincronizadas com as compressões em uma relação de 30 compressões para duas ventilações até que uma via aérea definitiva seja
obtida.
• A cada cinco ciclos de compressões e ventilações, deve-se checar o pulso.
Caso haja fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular (TV) sem pulso, a desfibrilação está indicada. A pacientes em atividade elétrica sem pulso (AESP) ou assistolia não se indica desfibrilação.
O soco precordial poderá ser considerado para pacientes com TV sem pulso presenciada e monitorizada, se não houver desfibrilador para uso imediato (não deve retardar a reanimação cardiopulmonar [RCP], nem a aplicação de choque).
Para desfibriladores monofásicos, utilizar a carga de 360 J e, para bifásicos, a carga recomendada pelo fabricante (120-200 J). Se não conhecida, utilizar a carga máxima (procure sempre conhecer o desfibrilador do local de trabalho antes de utilizá-lo em uma situação de emergência).
Em pacientes com marca-passo ou cardidesfibrilador implantável (CDI), evitar a colocação das pás diretamente sobre os dispositivos.
A assistolia só é confirmada após a checagem da conexão correta das pás, do aumento do ganho e da mudança na derivação (para não deixar de diagnosticar um possível ritmo “chocável”)
Logo após a administração do choque ou análise do ritmo, iniciar imediatamente os ciclos de compressões-ventilações, sempre pelas compressões (só após cinco ciclos haverá nova checagem de ritmo).
Circulação
• Obtenção de uma via para administração das medicações .
– Vias de acesso para administração de medicações
Acesso venoso periférico
– É a via de escolha, preferencialmente na fossa antecubital.
– Após administração das drogas, fazer um bólus de 20 ml de solução fisiológica (SF) e elevar o membro.Acesso intraósseo
– É seguro e efetivo para administração de drogas, ressuscitação volêmica e coleta de sangue se a via endovenosa (EV) não estiver disponível.
– As doses e o bólus de soro fisiológico são os mesmos que os administradas via EV.Acesso venoso central
– Permite a chegada da medicação em menor tempo comparado ao acesso periférico, porém pode haver interrupções nas compressões para realização do
procedimento.
– Deve ser considerado apenas por médicos experientes.Via endotraqueal
– Apenas vasopressina, adrenalina e lidocaína podem ser administradas por essa via e suas concentrações sanguíneas são menores quando comparadas à
administração vias EV/intraoral (IO).
– A dose a ser administrada é 2 a 2,5 vezes a dose indicada na via EV, diluída preferencialmente em 5 a 10 ml de água destilada.
As drogas utilizadas no manejo da PCR são adrenalina, vasopressina, amiodarona e lidocaína .
• A amiodarona e a lidocaína só devem ser administradas na FV/TV.
• A atropina, de forma rotineira, não é mais recomendada no tratamento de AESP e assistolia (retirada na última atualização da International Liaison Committee on Resuscitation [Ilcor, 2010]).
Medicações utilizadas no atendimento à PCR
– Adrenalina (indicação IIb; nível de evidência A)
– Estimula receptores alfa-adrenérgicos (vasoconstritor).
– Indicação: para toda PCR.
– Dose: 1 mg, EV/IO, a cada 3 a 5 min (não há dose máxima).
– Vasopressina (indicação IIb; nível de evidência A)
– Vasoconstritor periférico não adrenérgico.
– Indicação: alternativa a primeira ou segunda dose de adrenalina.
– Dose: 40 U, EV/IO (dose única).
– Amiodarona (indicação IIb; nível de evidência B)
– Age nos canais de sódio, potássio e cálcio e tem propriedades alfa e betabloqueadoras.
– Indicação: FV ou TV refratárias ao choque e ao vasopressor.
– Dose: 300 mg, EV/IO, em bólus, na primeira dose, e 150 mg, em bólus, na segunda dose.
– Lidocaína (indicação IIb; nível de evidência B)
– Indicação: na FV ou TV se amiodarona não disponível.
– Dose: 1 a 1,5 mg/kg, EV/IO, em bólus, na primeira dose, e doses de 0,5 a 0,75 mg/kg, a cada 5 a 10 min (dose máxima de 3 mg/kg).
• O bicarbonato de sódio só deve ser utilizado em situações específicas.
Seu uso de rotina na PCR é contraindicado.
– Acidose metabólica preexistente.
– Hipercalemia.
– Intoxicação por antidepressivos tricíclicos (ADTs).
Vias aéreas e ventilações
• Caso as ventilações com bolsa-máscara não estejam efetivas ou a causa da PCR seja por hipóxia, deve-se garantir uma via aérea definitiva.
• Se as ventilações com bolsa-máscara estiverem efetivas, a decisão do momento de se garantir uma via aérea avançada fica a critério do líder que coordena o atendimento. Recomenda-se que seja realizado assim que possível, porém não deverá atrasar outros procedimentos mais importantes (como a desfibrilação).
• A realização de intubação orotraqueal não deve exceder 30 s e, preferencialmente, não interromper as compressões torácicas. Para profissionais não experientes, dispositivos como máscara laríngea ou combitube devem ser utilizados.
• O uso da pressão cricoide de forma rotineira para evitar broncoaspiração não é recomendado.
• Após a obtenção de uma via aérea definitiva, as ventilações passam a ser não sincronizadas com as compressões, e os ciclos de RCP passam a ser de 2 min.
Devem-se realizar, no mínimo, 100 compressões por minuto e ventilações de 1 segundo cada uma, com uma frequência de 8 a 10/min (uma a cada 6 a 8 s).
Ao final de cada ciclo de RCP, deve-se checar o ritmo.
• A hiperventilação deve ser evitada, pois o aumento da pressão intratorácica diminui o retorno venoso e, consequentemente, a perfusão coronariana.
• A capnografia quantitativa com formato de onda é recomendada a pacientes intubados durante o período em PCR para confirmação da posição do tubo, monitorização da qualidade da RCP e detecção do RCE, baseado nos valores de CO2 no final da expiração. Caso não disponível, o detector de CO2, sem formato de onda, ou detector esofágico podem ser utilizados.
Diagnósticos diferenciais
• Enquanto os ciclos de RCP se repetem a cada 2 min, a causa da PCR deve ser buscada ativamente e tratada assim que possível.
• A principal causa de PCR em FV/TV é a SCA.
• As principais causas de AESP/assistolia são hipóxia, hipovolemia, tromboembolismo pulmonar (TEP) e pneumotórax hipertensivo.
• As causas mais comuns de PCR e os respectivos tratamentos estão representados
Principais causas de PCR (5 Hs e 5 Ts)
Causas e Tratamento:
Ritmos
Referências:
1. Mary AP, Clifton WC, Robert WN, et al. Post-cardiac arrest care: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation. 2010;122;S768-86.
2. Robert AB, Robin H, Benjamin SA, et al. Adult basic life support: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care Circulation. 2010;122:S685-705.
3. Robert WN, Charles WO, Mark SL, et al. Adult advanced cardiovascular life support: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation. 2010;122;S729-67.
© Dr. Dário Santuchi — Cardiologia & Clínica Médica CRM-ES 11491 | RQE 10191 / 13520 Todos os direitos reservados.
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