Um dermátomo é a região da pele inervada pelas fibras sensitivas somáticas associadas a uma única raiz posterior, em um único nível da medula espinal. A fibra tem origem em um neurônio pseudounipolar cujo corpo celular reside no gânglio sensitivo do nervo espinal; um ramo periférico capta a sensação na pele e o ramo central entra na medula pela raiz posterior.
A face é uma exceção importante: sua inervação sensitiva provém do nervo trigêmeo (nervo craniano), não de raízes espinais, portanto tecnicamente não constitui dermátomos no mesmo sentido.
| Região | Áreas cobertas |
| Cervical (C2-C8) | Parte da cabeça, pescoço, ombros, braços e mãos |
| Torácica (T1-T12) | Faixas horizontais no tórax e abdômen |
| Lombar (L1-L5) | Parte anterior/medial das coxas e pernas, virilha e parte dos pés |
| Sacral (S1-S5) | Nádegas, região perineal, parte posterior das coxas/pernas e maior parte dos pés |
No tronco, os dermátomos distribuem-se em faixas horizontais (“cinturões”); nos membros, em faixas longitudinais, refletindo o desenvolvimento embrionário. O nível C1 tem contribuição sensitiva mínima para a pele; por isso, o mapa clínico começa em C2.
O mapa de dermátomos é ferramenta de localização diagnóstica: dor irradiada para a face anterior da coxa e face medial da perna sugere acometimento da raiz L4; perda de sensibilidade abaixo do nível do umbigo (aproximadamente T10) sugere lesão medular nesse segmento. Testar sensibilidade a pressão e dor, de forma sequencial, ajuda a estimar o nível e a extensão de uma lesão medular.
Tratar as fronteiras dos dermátomos como linhas absolutas. Na realidade há sobreposição significativa entre dermátomos adjacentes (por exemplo, T5 recebe contribuições de T4 e T6), o que explica por que a lesão de uma única raiz raramente causa anestesia completa na área correspondente, e reforça a necessidade de correlacionar o achado sensitivo com outros dados do exame neurológico.
Os mapas de dermátomos são guias de aproximação, não representações milimetricamente exatas — existem variações individuais relevantes para a prática clínica.
Paciente fictício: homem de 62 anos relata dor em queimação e hipoestesia em faixa ao redor do hemitórax direito, ao nível aproximado da linha mamilar (T4).
Pergunta progressiva 1: Considerando a distribuição em faixa e o nível descrito, que hipóteses diagnósticas (por exemplo, radiculopatia compressiva versus etiologia infecciosa como herpes-zóster) devem ser consideradas?
Pergunta progressiva 2: Se o exame revelasse hipoestesia bilateral e simétrica abaixo de T10, como isso mudaria o raciocínio em relação a uma lesão radicular unilateral?
HALL, John E. Guyton & Hall: tratado de fisiologia médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
NETTER, Frank H. Atlas de anatomia humana. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019.
PAULSEN, Friedrich; WASCHKE, Jens (ed.). Sobotta: atlas de anatomia humana. 24. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. 3 v.
O conteúdo original sobre dermátomos mostrou-se consistente com a literatura clássica de referência, sem erros factuais identificados.
🔹 INFORME IMPORTANTE
Este conteúdo tem caráter educativo e informativo e não substitui uma consulta médica presencial ou por telemedicina. Cada pessoa é única e necessita de avaliação individualizada por um(a) profissional habilitado(a). Caso apresente sintomas ou dúvidas específicas sobre sua saúde, procure atendimento médico.
👨⚕️ Autor Dr. Dário Santuchi
Médico Cardiologista e Especialista em Clínica Médica
Mestre em Ciências da Saúde
CRM-ES 11491 • RQE 10191 • RQE 13520
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