1. Introdução
- Definição de Coma: estado de ausência de resposta a estímulos externos e perda do ciclo sono-vigília.
- Pode ser causado por lesões anatômicas ou alterações funcionais no tronco cerebral ou hemisférios.
2. Escala de Coma de Glasgow (Teasdale & Jennet, 1974)
| Categoria | Pontos | Resposta |
|---|---|---|
| Motora (M) | 6 | Obedece a comandos |
| 5 | Localiza dor | |
| 4 | Retirada inespecífica | |
| 3 | Padrão flexor | |
| 2 | Padrão extensor | |
| 1 | Ausente | |
| Verbal (V) | 5 | Orientado |
| 4 | Confuso | |
| 3 | Inapropriada | |
| 2 | Incompreensível | |
| 1 | Ausente | |
| Abertura Ocular (O) | 4 | Espontânea |
| 3 | Estímulo verbal | |
| 2 | À dor | |
| 1 | Ausente ou pupilas fixas e midriáticas |
Coma = GCS ≤ 8
# Atualização

3. Espectro da Consciência
Fluxograma em ordem decrescente de consciência:
- Vigília
- Inatenção
- Confusão mental / Delirium
- Estupor
- Coma
- Estado vegetativo
- Estado vegetativo persistente
- Estado mínimo de consciência
- Morte cerebral
4. Avaliação Clínica do Coma (Bateman, 2001)
| Condição Neurológica | Consciência | Reflexos Troncoencefálicos | Sono-Vigília | Função Motora | Drive Ventilatório |
| Morte cerebral | – | – | – | Nenhuma | – |
| Coma | – | ± | – | Não voluntária | ± |
| Estado vegetativo | ± | + | + | Não voluntária | + |
| Estado mínimo | + | + | + | Variável | + |
| Locked-in | + | + | + | Preserva olhos | + |
| Mutismo acinético | + | + | + | Não voluntária | + |
5. Diagnóstico e Conduta Inicial (Ropper, 1993)
Passo-a-passo:
- Abordagem inicial: ABC, história, Glasgow, avaliação clínica, tiamina IV, glicose hipertônica se hipoglicemia.
- Imagem (TCE grave ou GCS ≤ 8): TC de crânio.
- Se TC normal:
- Avaliar sinais neurológicos.
- Fazer punção lombar (se meningoencefalite/infeccioso).
- Alterações metabólicas: eletrólitos, gaso, função hepática, hormônios.
- Tóxicos ou epilepsia? Solicitar exames toxicológicos/EEG.
- Tratamento geral:
- Cabeceira 30º
- Posição neutra da cabeça
- SEDAÇÃO se necessário
- Controle glicêmico e de eletrólitos
- Profilaxia de crise convulsiva
- Medidas de suporte
Atenção: hiperventilação profilática é contraindicada.
6. Prognóstico do Coma (Bates, 2001; Levy et al., 1985)
| Fator Prognóstico | Favorável | Desfavorável |
| Etiologia | Metabólica | Estrutural |
| Escala de Glasgow | > 8 | < 8 |
| Duração do coma | < 3 dias | > 3 dias |
| Reflexos troncoencefálicos | Presentes | Ausentes |
| Resposta motora | Retirada/localiza dor | Ausente/flexora/extensora |
| Potencial Evocado (72h) | Presente | Ausente |
Os reflexos troncoencefálicos são respostas automáticas que envolvem o tronco encefálico (mesencéfalo, ponte e bulbo) e ajudam a manter funções essenciais à vida. A maneira mais simples de entender esses reflexos é pensar neles como “circuitos de segurança” do corpo, que asseguram que nosso cérebro continue recebendo informações sensoriais e mantendo funções básicas mesmo sem controle consciente.
A seguir, alguns pontos fundamentais para explicar cada um deles:
Reflexo Pupilar à Luz
O que é: Quando a luz entra no olho, as pupilas se contraem (diminuem de diâmetro).
Por que acontece: A luz estimula receptores na retina, as informações vão para o tronco encefálico (mais precisamente para o mesencéfalo), e então há a resposta de contração das pupilas.
Função: Proteger a retina contra muita luz e melhorar a nitidez da visão.
Reflexo Córneo (Piscar)
O que é: Ao encostar (ou aproximar algo) na córnea, ocorre o piscar automático.
Por que acontece: O contato ou estímulo na córnea gera impulsos sensoriais para a ponte, e dali há a ordem para fechar rapidamente as pálpebras.
Função: Proteger o olho contra objetos estranhos ou lesões.
Reflexo Oculocefálico (“Olhos de boneca”)
O que é: Quando a cabeça é girada rapidamente para um lado, os olhos se movem para o lado oposto, como se tentassem “manter o olhar fixo” em um ponto.
Por que acontece: Informações dos canais semicirculares do ouvido interno seguem para o tronco encefálico, que ajusta os músculos dos olhos.
Função: Manter a estabilidade visual durante o movimento da cabeça.
Reflexo Vestíbulo-Ocular (Calórico)
O que é: Testado em geral com água fria ou morna no ouvido. Dependendo da temperatura da água, os olhos se movem em uma determinada direção.
Por que acontece: A variação de temperatura estimula o labirinto (aparelho vestibular), e o tronco encefálico responde movimentando os olhos.
Função: Manter o olhar estabilizado quando há movimento ou mudanças de posição da cabeça.
Reflexo Náusea/Vômito
O que é: Sensação ou ato de expelir o conteúdo gástrico pela boca.
Por que acontece: O “centro do vômito” no bulbo é ativado por diferentes estímulos (estômago irritado, substâncias químicas, movimentação excessiva no labirinto etc.).
Função: Proteger o organismo de substâncias tóxicas ou irritantes.
7. Referências
- Bateman DE. Neurological assessment of coma. J Neurol Neurosurg Psychiatry, 2001.
- Bates D. The prognosis of medical coma. J Neurol Neurosurg Psychiatry, 2001.
- Levy DE et al. Prognostic criteria in postanoxic coma. JAMA, 1985.
- Ropper AH. Neurological emergencies. Raven Press, 1993.
- Teasdale G, Jennett B. Assessment of coma and impaired consciousness. Lancet, 1974.

Faça um comentário