Análise dos Exames Não Invasivos para Doença Arterial Coronariana

A investigação da doença arterial coronariana (DAC) dispõe de um arsenal de exames não invasivos, divididos em duas categorias principais: anatômicos, que visualizam estenoses e placas, e funcionais, que detectam isquemia sob estresse. A angiotomografia (AngioTC) de coronárias é o principal exame anatômico, destacando-se por sua alta sensibilidade e especificidade. Os testes funcionais incluem o teste ergométrico, o ecocardiograma com estresse e a cintilografia de perfusão miocárdica (SPECT), cada um com particularidades, vantagens e limitações.

A indicação desses testes é mais apropriada para pacientes sintomáticos com probabilidade pré-teste intermediária de DAC. Os cenários clínicos incluem dor torácica aguda (após exclusão de síndrome coronariana aguda de alto risco), dor torácica estável e investigação de insuficiência cardíaca ou disfunção ventricular de causa indefinida. Para pacientes assintomáticos de baixo risco cardiovascular, o rastreamento de DAC não é recomendado devido ao aumento de falsos positivos e à ausência de evidências que demonstrem melhora nos desfechos clínicos. O escore de cálcio coronariano (CAC) pode ser utilizado para refinar a estratificação de risco em casos de dúvida terapêutica.

A seleção do exame inicial depende de fatores como a probabilidade de DAC, características do paciente, disponibilidade local e custo. O teste ergométrico é o mais acessível e de menor custo, mas possui a menor acurácia. O ecocardiograma com estresse avalia a contratilidade miocárdica sem expor o paciente à radiação, enquanto a cintilografia quantifica a extensão da isquemia. A AngioTC oferece uma avaliação anatômica detalhada, sendo preferencial em pacientes mais jovens e com menor probabilidade de DAC obstrutiva. O método invasivo, a angiografia por cateterismo, permanece como padrão-ouro para diagnóstico e tratamento.

1. Classificação e Fundamentos dos Exames para DAC

A abordagem diagnóstica da Doença Arterial Coronariana (DAC) pode ser realizada por métodos invasivos e não invasivos. Enquanto a angiografia por cateterismo coronariano é o procedimento invasivo de referência, os exames não invasivos são fundamentais na estratificação inicial e podem ser classificados em duas modalidades principais.

1.1. Testes Anatômicos vs. Funcionais

A investigação não invasiva da DAC segue duas lógicas distintas:

  • Testes Anatômicos: Avaliam diretamente a estrutura das artérias coronárias, identificando a presença de estenoses e as características da placa aterosclerótica.
    • Principal Exame: Angiotomografia (AngioTC) de Coronárias.
    • Outros: Angiorressonância (AngioRM) de Coronárias.
  • Testes Funcionais: Buscam evidências de isquemia miocárdica, que ocorre quando o fluxo sanguíneo é insuficiente para a demanda do coração, especialmente durante o aumento do trabalho cardíaco (estresse).
    • Principais Exames:
      • Teste Ergométrico
      • Ecocardiograma com Estresse
      • Cintilografia de Perfusão Miocárdica (SPECT)
      • Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET)
      • Ressonância Magnética com estresse

É importante diferenciar a AngioTC do Escore de Cálcio Coronariano (CAC). O CAC é obtido por tomografia sem contraste e quantifica a carga de aterosclerose calcificada, auxiliando na estimativa de risco cardiovascular, mas sem avaliar estenoses. A AngioTC, por sua vez, requer contraste para visualizar diretamente a anatomia e as obstruções luminais.

1.2. O Conceito de Estresse Cardíaco

O objetivo de um teste com estresse é aumentar a demanda miocárdica para revelar alterações dinâmicas decorrentes de isquemia. Esse estresse pode ser induzido de duas formas:

  • Estresse Físico: Realizado em esteira ou cicloergômetro (teste ergométrico), fornece informações prognósticas valiosas, como a capacidade funcional (medida em equivalentes metabólicos, ou METs), o comportamento da pressão arterial e da frequência cardíaca, e escores como o Duke Treadmill Score. Cada aumento de 1 MET está associado a uma melhor sobrevida.
  • Estresse Farmacológico: Utilizado quando o paciente não pode realizar exercício físico. Os fármacos variam conforme o exame:
    • Dobutamina (com ou sem Atropina): Aumenta a contratilidade e a frequência cardíaca. É a escolha para o ecocardiograma com estresse.
    • Vasodilatadores (Dipiridamol, Adenosina): Aumentam o fluxo sanguíneo nas coronárias saudáveis, criando um “roubo de fluxo” relativo em áreas irrigadas por artérias estenosadas. O dipiridamol é o mais usado na cintilografia.

Atingir pelo menos 85% da frequência cardíaca máxima estimada para a idade é um dos critérios para considerar o estresse adequado.

2. Indicações Clínicas para Testes Não Invasivos

A principal utilidade dos testes não invasivos reside em pacientes sintomáticos com probabilidade pré-teste intermediária de DAC. Em probabilidades muito baixas, o risco de falso-positivo é alto; em probabilidades muito altas, a abordagem invasiva (cateterismo) pode ser mais adequada.

2.1. Pacientes Sintomáticos

A investigação é indicada em três cenários principais:

1. Dor Torácica Aguda:

  • Contexto: Departamento de emergência, após um ECG e troponinas excluírem infarto com supradesnivelamento do segmento ST ou outros achados de alto risco.
  • Processo: Ferramentas como o HEART Pathway são usadas para estratificação. Se o risco de síndrome coronariana aguda (SCA) não for excluído e o paciente for considerado de baixo risco, um teste não invasivo pode ser realizado para guiar a conduta.

2. Dor Torácica Estável:

  • Contexto: Ambulatorial, para pacientes com sintomas crônicos e previsíveis.
  • Processo: A probabilidade de DAC obstrutiva é estimada com ferramentas validadas (ex: CAD consortium). Pacientes com risco intermediário a alto são candidatos a testes não invasivos. Pacientes de risco muito alto, com angina frequente ou disfunção ventricular grave, podem ser encaminhados diretamente para cateterismo.

3. Insuficiência Cardíaca ou Disfunção Ventricular Sem Causa Definida:

  • Contexto: Investigação da etiologia da disfunção cardíaca.
  • Justificativa: A DAC é uma causa comum e tratável de insuficiência cardíaca. Pacientes com cardiomiopatia isquêmica e Fração de Ejeção do Ventrículo Esquerdo (FEVE) ≤ 35% podem ter benefício em mortalidade com a revascularização miocárdica, conforme demonstrado no estudo STICHES.

2.2. Pacientes Assintomáticos

A solicitação de exames em assintomáticos é mais restrita e controversa.

  • Rastreamento de DAC:
    • Baixo Risco Cardiovascular (<10% em 10 anos): A United States Preventive Services Task Force (USPSTF) e o American College of Physicians recomendam contra o rastreamento com teste ergométrico ou outros exames de imagem.
    • Risco Intermediário ou Alto: A USPSTF considera não haver evidências suficientes para uma recomendação a favor ou contra, alertando para os riscos de procedimentos subsequentes a achados anormais.
  • Estratificação de Risco Cardiovascular:
    • O Escore de Cálcio Coronariano (CAC) pode ser utilizado para refinar a estimativa de risco em pacientes de risco intermediário, ajudando a decidir sobre o início de terapias preventivas, como o uso de estatinas.

3. Análise Comparativa dos Exames Não Invasivos

A escolha do exame ideal é multifatorial, considerando acurácia, custo, disponibilidade, características do paciente e objetivos clínicos.

CaracterísticaTeste ErgométricoEcocardiograma com EstresseCintilografia Miocárdica (SPECT)AngioTC de Coronárias
PrincípioECG durante esforço físicoAvalia motilidade segmentar sob estresseAvalia perfusão miocárdica (radiofármaco)Visualização anatômica direta das coronárias
AcuráciaA menor entre os testes (Sensibilidade e Especificidade baixas)Boa (Sens: ~85%, Esp: ~86%)Boa (Sens: ~87%, Esp: ~73%)Excelente (Sens: >90%, Esp: ~92%)
VantagensBaixo custo, alta disponibilidade, avalia capacidade funcional (prognóstico)Sem radiação, avalia valvas e outras estruturas, avalia viabilidade miocárdicaDelimita localização, extensão e gravidade da isquemia, avalia viabilidadeAlta acurácia anatômica, detecta DAC não obstrutiva, identifica causas não cardíacas de dor
DesvantagensInviável com alterações no ECG basal (ex: BRE), baixa acuráciaDependente da janela acústica (obesidade), operador-dependenteExposição à radiação, custo elevado, duração longa do exame, artefatos de imagemExposição à radiação e contraste iodado, qualidade reduzida por arritmias ou calcificação
Estresse TípicoExercício físicoExercício ou DobutaminaExercício ou DipiridamolN/A (usa-se betabloqueador para reduzir FC)
Laudo (Gravidade)Infra de ST (horizontal/descendente)Isquemia moderada/grave: ≥ 3 segmentos afetados (de 16)Isquemia moderada/grave: ≥ 10% do miocárdio afetadoClassificação CAD-RADS (grau de estenose)

 

3.1. Teste Ergométrico

  • Realização: Utiliza protocolos como o de Bruce em esteira para induzir esforço. O principal critério de isquemia é o infradesnivelamento do segmento ST > 1 mm, com morfologia horizontal ou descendente.
  • Interpretação: Além do ECG, o laudo informa a capacidade funcional em METs (atingir < 7 METs indica limitação), a resposta da pressão arterial e da frequência cardíaca, e a correlação de sintomas com o esforço.
  • Limitações: A diretriz europeia de 2024 questiona sua acurácia para diagnóstico, recomendando-o principalmente para estratificação de risco quando outros testes são indisponíveis.

3.2. Ecocardiograma com Estresse

  • Realização: Compara imagens ecocardiográficas em repouso e sob estresse (físico ou com dobutamina) para detectar hipocinesia (redução da contratilidade) em segmentos miocárdicos.
  • Aplicações Adicionais: É útil para avaliar a gravidade de valvopatias (ex: estenose aórtica de baixo fluxo e baixo gradiente) e cardiomiopatia hipertrófica.
  • Riscos: Complicações graves, como arritmias e infarto, são raras (1 a cada 2000 exames).

3.3. Cintilografia de Perfusão Miocárdica (SPECT)

  • Realização: Utiliza radiofármacos (ex: sestamibi marcado com tecnécio-99m) injetados em repouso e sob estresse (geralmente com dipiridamol). Áreas com menor captação indicam hipoperfusão/isquemia.
  • Viabilidade Miocárdica: Consegue identificar miocárdio hibernante (disfuncional, mas viável), embora estudos como o STICH e o PARR-2 não tenham encontrado benefício em mortalidade ao usar a viabilidade como critério para indicar revascularização.
  • Limitações: A exposição à radiação contraindica o exame na gestação. O uso de cafeína deve ser suspenso 12 horas antes do teste com dipiridamol.

3.4. Angiotomografia (AngioTC) de Coronárias

  • Realização: Requer o uso de contraste iodado e um betabloqueador para manter a frequência cardíaca baixa (< 65 bpm), otimizando a qualidade da imagem.
  • Sistema CAD-RADS: Os laudos são padronizados pelo sistema Coronary Artery Disease – Reporting and Data System, que classifica o grau de estenose e sugere condutas.

Classificação CAD-RADS Simplificada (Dor Torácica Estável)

CategoriaGrau de Estenose MáximaDescriçãoSugestão de Conduta
CAD-RADS 00%Ausência de placa ou estenose.Risco muito baixo. Considerar causas não coronarianas.
CAD-RADS 11-24%Estenose mínima, não obstrutiva.Considerar terapia preventiva com estatina.
CAD-RADS 225-49%Estenose leve, não obstrutiva.Iniciar/intensificar terapia preventiva.
CAD-RADS 350-69%Estenose moderada.Considerar teste funcional para avaliar isquemia.
CAD-RADS 4A70-99%Estenose grave em 1 ou 2 vasos.Considerar terapia medicamentosa otimizada. Cateterismo se os sintomas persistirem.
CAD-RADS 4B≥ 70%Estenose grave em 3 vasos ou ≥ 50% em tronco de coronária esquerda.Cateterismo invasivo é indicado.
CAD-RADS 5100%Oclusão total.Cateterismo invasivo é indicado.

4. Estratégias de Investigação e o Papel do Cateterismo

4.1. Seleção da Estratégia Inicial

  • Diretriz AHA 2021: Sugere preferência pela AngioTC em pacientes com < 65 anos e menor probabilidade de DAC obstrutiva. Testes funcionais são favorecidos para pacientes > 65 anos ou com maior probabilidade de DAC.
  • Pacientes com DAC Conhecida: Se um paciente com DAC obstrutiva prévia desenvolve dor torácica estável, a primeira conduta é otimizar a terapia medicamentosa. Se os sintomas persistirem, um teste funcional é indicado. Isquemia moderada a grave nesse cenário indica angina refratária e justifica um cateterismo.

4.2. Angiografia por Cateterismo Coronariano

Este método invasivo continua sendo o padrão-ouro para avaliação de obstrução coronariana. Suas capacidades vão além do diagnóstico:

  • Terapêutica: Permite a realização de angioplastia com stent no mesmo procedimento.
  • Estudo Funcional: Técnicas como a Reserva de Fluxo Fracionada (FFR) podem ser usadas para determinar a significância hemodinâmica de lesões intermediárias (40-70%).
  • Imagens Intravasculares: O ultrassom intravascular (IVUS) e a tomografia de coerência óptica (OCT) fornecem avaliação morfológica detalhada das placas.
  • Diagnóstico de INOCA: O cateterismo com testes provocativos (acetilcolina) é fundamental para diagnosticar vasoespasmo e doença microvascular em pacientes com isquemia e artérias coronárias não obstrutivas (INOCA).

Referência Principal (CAD-RADS)

CURY, R. C. et al. CAD-RADS™: Coronary Artery Disease – Reporting and Data System: An Expert Consensus Document of the Society of Cardiovascular Computed Tomography (SCCT), the American College of Radiology (ACR) and the North American Society for Cardiovascular Imaging (NASCI). Endorsed by the American College of Cardiology. J Am Coll Radiol, 2016.

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Artigos de Revisão e Outros Estudos

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Sobre Dario Santuchi MD,MSc Cardiologista 822 Artigos
-Médico Especialista em Clínica Médica e Cardiologia com Mestrado em Ciências da Saúde - Medicina & Biomedicina - Professor Universitário - Cadeira de Ciências Morfofuncionais aplicadas à Clínica na Universidade Anhanguera e UVV. - Diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia capitulo Espirito Santo 20/21. Membro da Equipe de Cardiologia do Hospital Rio Doce, Hospital Unimed Norte Capixaba e Hospital Linhares Medical center. CRM-ES 11491 RQE 10191 - RQE 13520

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